Custo fixo é o que você paga todo mês, independente de vender muito ou pouco: aluguel do ponto ou da sala, internet, um sistema de gestão, a parcela de um equipamento, o contador, o plano de celular usado para atender cliente. Custo variável muda de acordo com a produção ou o atendimento: material usado em cada produto, embalagem, taxa de entrega, taxa da maquininha de cartão, combustível de um deslocamento.
Muita gente calcula só o custo variável (o material) e esquece dos fixos, achando que ‘aluguel eu pago de qualquer jeito, então não entra na conta do produto’. Esse raciocínio é um dos maiores causadores de prejuízo silencioso. Se o aluguel é 900 reais por mês e você vende 60 produtos nesse período, cada produto precisa carregar 15 reais desse aluguel só para o negócio se pagar — antes mesmo de pensar em lucro.
O primeiro passo prático é listar tudo o que sai da sua conta em um mês típico, separando em duas colunas: fixo e variável. Vale incluir itens pequenos que costumam ser esquecidos, como embalagem, sacola, cartão de visita, taxa de aplicativo de entrega e até o desgaste de equipamentos (depreciação), que muita gente nunca calcula porque ‘já foi comprado’.
Depois de listar, some todos os custos fixos do mês e divida pela quantidade média de vendas nesse mês. Esse valor por unidade — chame de ‘rateio do fixo’ — entra no preço de cada item junto com o custo variável daquele item específico. Se você vende quantidades muito diferentes mês a mês, use uma média dos últimos três a seis meses para não distorcer o cálculo em um mês fraco ou muito forte.
Um erro comum é confundir ‘ter caixa no fim do mês’ com ‘ter lucro’. É possível ter dinheiro sobrando na conta simplesmente porque um cliente pagou adiantado, ou porque uma fatura de fornecedor ainda não venceu — isso é fluxo de caixa, não lucro. O lucro só existe depois que todos os custos (fixos e variáveis) de um período foram descontados da receita daquele mesmo período.
Uma dica prática para autônomos que trabalham em casa: separe uma fatia proporcional das contas domésticas que também servem ao negócio (parte da energia, parte da internet, parte do aluguel) e trate como custo fixo do negócio. Não é preciso ser perfeito nessa divisão — um critério razoável, como ‘uso 20% da energia da casa para o negócio’, já é muito melhor do que ignorar esse custo completamente.
Negócios com produção sazonal — como decoração para festas juninas ou enfeites de Natal — enfrentam um desafio extra: os custos fixos continuam praticamente os mesmos o ano inteiro, mas as vendas se concentram em poucos meses. Nesses casos, o rateio do custo fixo não deve ser calculado só pelo mês de pico: é preciso dividir o custo fixo anual pela quantidade total vendida no ano, para que os meses de baixa não fiquem sem cobertura nenhuma dentro do preço.
Outro ponto que merece atenção é a diferença entre custo por unidade em pequena escala e em maior escala. Comprar farinha em pacotes de 1 quilo custa proporcionalmente mais do que comprar um saco de 25 quilos — por isso, ao crescer a produção, vale recalcular o custo variável, porque ele tende a cair um pouco por unidade conforme o volume de compra aumenta. Esse recálculo periódico evita que o negócio continue cobrando um preço baseado em um custo antigo, de quando ainda comprava em menor quantidade.
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O que você acabou de ler é um trecho de Precificação sem Medo: Calcule seu Preço Certo e Pare de Trabalhar de Graça — material com 17 capítulos que seguem exatamente esse caminho, do começo ao resultado.
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